terça-feira, 26 de maio de 2009

Para ficar de olho

Interessantíssima a reportagem sobre restaurantes amigos para cegos que saiu na Revista da Folha de domingo.

Para ficar de olho.
por William Vieira.

Um guia para cegos usufruírem da diversidade gastronômica de São Paulo.
O advogado Geraldo da Fonseca Filho, 50, convida a mulher, a auxiliar de enfermagem Bernadete Oliveira, 49, para jantar fora. Escolhem um local perto de casa, na Aclimação, zona sul.
O casal senta-se à mesa e espera o atendimento. Leva 20 minutos até que alguém de outra mesa chame o garçom, que, finalmente, vai ler o cardápio.
Eles são deficientes visuais. "Os restaurantes nunca têm cardápio especial", diz Geraldo. Os cegos dependem da ajuda de estranhos.
A maioria dos estabelecimentos da cidade descumpre a lei 2.363, regulamentada em 1997, que obriga bares, restaurantes e similares de São Paulo a terem cardápios adaptados em braile.
A Secretaria Municipal de Saúde diz que investiga denúncias e o cumprimento da legislação sanitária - mas que não há dados sobre o descumprimento da lei ou a eventual aplicação de multas (R$ 500 por infração).
Para usufruir da variedade gastronômica da cidade, os deficientes visuais evitam self-services e locais lotados.
Geraldo sempre pede ao garçom que leia os itens do menu (e preços), o que leva até dez minutos. Comida servida, solicita que seja cortada. "Preciso saber onde fica cada coisa, para evitar uma bagunça pra quem está vendo." Depois, o último pedido: a discriminação da conta.
A Revista fez um levantamento dos estabelecimentos "amigos dos cegos".
A Fundação Dorina Nowill para Cegos firmou, em agosto do ano passado, uma parceria com o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo, para produzir menus em braile.
Desde então, mais de 200 estabelecimentos já os fizeram. A média mensal é de 30 novas encomendas. "É pouco, mas é um avanço", diz Walter Espíndola Jr., gerente da Dorina Nowill.
A produção é simples. A empresa manda o cardápio, que é adaptado por editores, revisado por cegos e impresso. "O menu em braile proporciona autonomia e independência", diz Maria Cristina Felippe, 55, gerente de atendimento da Associação Brasileira de Assistência ao Deficiente Visual.

Como os deficientes visuais podem contornar eventuais dificuldades:
* Escolher bem o restaurante, se for self-service, melhor ir acompanhado; se não, pergunte se há um funcionário que possa descrever os alimentos e onde estão eles;
** Já na chegada, esclarecer ao funcionário (hostess, maître ou garçom) que é deficiente visual;
*** Pedir para sentar na área de maior fluxo de garçons (para facilitar a solicitação dos serviços);
**** Cardápio em braile é lei - portanto, exija; se não houver, peça para o garçom ler os itens, os produtos e os preços;
***** É conveniente pedir a disposição dos alimentos (onde está o quê no prato);
****** Na hora da conta, pedir que o garçom leia item por item. Nada disso é favor, mas sim obrigação do restaurante para com o cliente.

Restaurantes e Bares "amigos dos cegos":

Alimentari di Sergio Arno
Rua Pedroso Alvarenga, 545, Itaim Bibi.

Almanara
Rua Oscar Freire, 523. Cerqueira César.

Antiquarius
Alameda Lorena, 1.884, Jardim Paulista.

Barbacoa
Rua Doutor Renato Paes de Barros, 65, Itaim Bibi.

O bar baro
Rua Pequetita, 179A, Vila Olímpia.

Black Dog
Alameda Joaquim Eugênio de Lima, 612, Jardim Paulista.

Congonhas Grill
Av. Washington Luiz, s/n, 2º andar, Vila Congonhas.

Fasano
Hotel Fasano, rua Vitório Fasano, 88, Cerqueira César.

La risotteria Alessandro Segato
Rua Padre João Manoel, 1.156, Cerqueira César.

The Fifties
Rua Tapauã, 1.100, Itaim Bibi.

Via Casteli
Rua Martinico Prado, 341, Vila Buarque.

Wraps
Rua Horácio Lafer, 257, Itaim Bibi.

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