segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

A tradição do La Casserole


No dia do post anterior fui jantar no La Casserole. Primeiro porque sempre quis conhecer o restaurante, tão famoso pela sua história, pela tradição e pela cozinha. O La Casserole abriu suas portas em 1954, o romântico bistrô logo se tornou um dos pontos mais charmosos da cidade servindo muito bem clássicos da cozinha francesa. Pelo que pude comprovar o restaurante realmente possui os requisitos que um verdadeiro bistrô deve ter: ambiente aconchegante, atendimento gentil, culinária refinada, aromas e sabores perfeitos... Será?
Nota máxima para ambiente aconchegante e atendimento gentil. Por ser francês, culinária refinada, quem sabe... Não provei os pratos do menu. Um dos motivos pelo qual quis conhecer o La Casserole especialmente essa semana foi o festival França Asiática, promovido pelo restaurante durante o mês de Fevereiro. Serve, até o próximo dia 22, um menu que agrega a tradição da culinária francesa aos ingredientes asiáticos.
As receitas são preparadas com iguarias das Ilhas Seychelles (Oceano Índico), Taiti (Oceano Pacífico) e Vietnã (antes parte da Indochina Francesa, no Sudeste Asiático).
O menu sazonal é composto de duas sugestões de entradas e três, tanto de pratos principais, como de sobremesas.
Experimentamos as duas opções de entrada, Lagostim grelhado e cubos de abacaxi ao perfume de vinho branco (Ilhas Seychelles) e o Ceviche de atum ao coco fresco. Começamos bem, as entradas estavam deliciosas.
Na escolha dos principais, porém, uma controvérsia. As opções eram "Bife com fritas" à moda vietnamita (Vietnã) ou Linguado ao perfume de baunilha, arroz créole (Taiti) ou Fricassé de frango, broto de bambu, ao leite de coco e especiarias (Vietnã). Perguntei ao garçom como seria o bife com fritas vietnamita e ele preocupado me respondeu que talvez não possuísse o prato aquela noite! (Em um festival com duração de um mês, é de se imaginar que as pessoas irão ao restaurante pra provar apenas os pratos do festival, não tê-los seria uma opção?). Mas depois de verificar com a cozinha, sim, eles possuíam o prato aquela noite. Fomos então de linguado e bife vietinamita.
O bife com fritas era picadinho, e vinha servido com um molho bem denso em uma cumbuca com batatas fritas por cima. Talvez por ser um molho fermentado de anchovas um cuidado maior com o sal seria um bom conselho. Extremamente salgado. Também faltou o charme da incorporação à moda vietnamita, talvez uns ohashis... Sentimos falta de um toque charmoso ao prato...
O linguado ao perfume de baunilha era um prato bonito, o garçom retirava a espinha na mesa, e o molho ao perfume de baunilha vinha separado. Um molho leve, gostoso. O arroz créole era temperado e tinha um pouco de polvo. Gostoso, mas nada que Ana Maria soltasse os cachorros...
Na sobremesa o “Crème caramel” ao leite de coco (Vietnã) se apresentou apenas um pudim de leite com raspas de côco por cima, mas o Sorbet de chá verde e lichia (Vietnã) era incrível!

Instigo todos a conhecer o La Casserole. Vale a pena prestigiar um restaurante francês que tem 55 anos nas costas e não perde o charme e a sintonia... Apenas me pergunto se vale a pena insistir em vestir uma roupa que não lhe cabe... Navegar em outras águas pode ser uma aventura deliciosa, mas requer cuidado redobrado. E porque não podemos ser apenas nós mesmos? Assumirmos nossa história, nosso passado, fazer valer nossas atitudes que são a impressão da nossa personalidade? Não negar nossa raiz. Vamos inovar dentro da nossa própria influência, por que não? Não seria esse o verdadeiro significado da palavra TRADIÇÃO?

La Casserole
Largo do Arouche, 346, Centro.
3331-6283
www.lacasserole.com.br

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