segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

The Lady in the tutti-frutti hat


Como já tinha postado aqui, sábado haveria um almoço em comemoração ao centenário de Carmen Miranda na casa de Letícia Massula, ou melhor, na Cozinha de Matilde.
Antes de falar um pouco sobre a aniversariante gostaria de ressaltar que quem tiver a oportunidade de visitar a casa de Letícia por favor, façam! A casa é um tesouro muito bem escondido na Vila Madalena, o casal proprietário encantados por comida abrem suas portas ao público em eventos temáticos que juntam numa tarde ou noite agradável comida, história, cultura, risadas, música, receitas, utensílios, amigos e um ambiente extremamente encantador!
Letícia é dona de uma simpatia irradiante, seu marido comanda a cozinha num rebolado único de onde ele nos presenteia com pequenas preciosidades como purê de xuxu com camarão, pastel de feijoada com couve e tudo, vinagrete de abacaxi, purê de banana com siri e no prato principal um cozido com pirão e arroz delicioso! Os amigos e frequentadores assíduos dividem espaço com jornalistas, músicos e gourmets... A junção de boa comida, boa música, bom ambiente e bom papo despertam em nós, meros mortais, uma pontinha de inveja sobre aquele sonho real que é a casa de Letícia!
Sobre o centenário da portuguesa-brasileira-americana Maria do Carmo Miranda da Cunha nada como uma boa aula sobre a vida e música da "pequena notável". Aula na qual a jornalista Liliane Ferrari faz com extrema desenvoltura. Depois do gostinho de tutti frutti deixado após a aula fica só a vontade de ler o livro de Ruy Castro "Carmen - Uma Biografia".

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u55604.shtml
Cantora e atriz ganha biografia. "Um dos orgulhos que esse livro me dá é que espero ter conseguido mostrar que Carmen foi praticamente a inventora da música popular brasileira como cantora. Ela inventou um jeito brasileiro de cantar. E já chegou pronta aos Estados Unidos. Na verdade, ela já estava pronta em 'Taí', exalta Castro, 57, referindo-se ao sucesso de 1930 que transformou Carmen de anônima em estrela em um Carnaval. O jornalista derruba no livro a idéia superficial de que o estereótipo eternizado por Carmen teria sido uma imposição de Hollywood. Afinal, "O Que É Que a Baiana Tem?" surgiu em um filme brasileiro de 1938, "Banana da Terra", e, nele, Carmen, orientada por Dorival Caymmi, já se valeu de indumentária e trejeitos parecidos com os que internacionalizaria a partir do ano seguinte. "O que houve foi uma exacerbação do personagem", assinala Castro, lembrando que não aconteceu com Carmen nada muito diferente do que acontecia com astros e estrelas norte-americanas. A primeira lenda dizia que Lee Shubert, o empresário mais importante da Broadway, tinha visto um show de Carmen por acaso e que, impressionado, decidira contratá-la.Impressionado ele ficou, mas, como provam cartas do acervo de Shubert que Castro consultou, pedira uma reserva no cassino já alertado de Carmen poderia interessá-lo. "E o que ele fazia era teatro de variedades, no qual uma brasileira como Carmen poderia se encaixar bem", diz o jornalista. A segunda lenda, mais famosa, tratava das vaias que ela sofrera ao se apresentar na Urca em 15 de julho de 1940, logo após retornar de sua primeira e muito bem-sucedida temporada norte-americana."Não ouvi de ninguém e não li em lugar nenhum que houve vaia. Houve gelo. Mas era uma platéia formada em boa parte por gente do governo Vargas, que na época estava próxima do fascismo e do nazismo. Como iam achar graça em Carmen dizendo 'good night, people' e cantando 'South American Way'? E ela ainda estava resfriada", afirma Castro, que contou com depoimentos de quatro pessoas presentes ao cassino naquela noite.Dois meses depois, Carmen voltaria ao mesmo palco e seria fartamente aplaudida por uma platéia mais afeita ao seu repertório, então já atualizado com respostas como "Disseram que Eu Voltei Americanizada", especialmente composta por Vicente Paiva e Luiz Peixoto. Situações como essa reforçaram para Castro a importância de contextualizar as fases da vida de Carmen. Ao ver, por exemplo, que ela morou entre os 6 e os 16 anos em uma Lapa que começava a ser a Lapa, recheada de artistas, malandros e prostitutas para todos os cacifes, ele concluiu que essa paisagem deve ter influenciado muito o comportamento da cantora. E ela ingressou na carreira exatamente quando do estouro do rádio, do samba e das marchinhas, áreas das quais se tornou dona. Dos homens da vida de Carmen, Castro fala em detalhes de nomes, número e desempenhos. Aloysio de Oliveira, que poderia ter sido marido, mas não quis ser, não sai bem do livro. David Sebastian, "caça-dotes e biscateiro" que cavou cargo e o conquistou, também não, mas deixa de ser o "assassino" de Carmen, como costuma ser considerado."Ela já tomava estimulantes e barbitúricos antes. E também já bebia. Ele foi uma facilidade a mais, já que também era alcoólatra e queria que ela trabalhasse muito para ganhar dinheiro", explica Castro. Ele garante, mais uma vez, que esta é a última biografia que escreve.

Carmen ta sempre na moda!

4 comentários:

Cozinha da Matilde disse...

Puxa vida, Marina, quanta delicadeza e carinho com nosso cantinho! You make my day!

Volte sempre (a casa é sua!) e vamos ver se a gente combina uma comidinha à quatro mãos!

Um catador disse...

Um dos lugares que vc me levará tão logo eu apareça em Sampa. Beijos saudosos!

Cozinha da Matilde disse...

Marina,

ainda sou nova nesta coisa de Blog... queria saber onde fica seu Feed para eu colocar no Reader!

Marina Sabino disse...

Menina, e quem disse que eu sei???
Perae, que eu vou descobrir agora!!!