terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Livros



Semana passada terminei Julie & Julia, da Julie Powell. Uso as palavras de Patricia de Cia para falar sobre o livro "Em princípio, nada contra a diva doméstica. Mas cá pra nós: por mais que Martha Stewart e Nigella Lawson pareçam sempre impecáveis e glamurosas, quem enfrenta forno e fogão numa cozinha comum, longe das câmeras, tem pela frente muitos imprevistos e louça suja que, com o acréscimo de um belo punhado de bom humor, podem render grandes histórias." A cozinha realmente tem um lado divertido, imperfeito e algumas vezes desastroso e irritante. Julie Powell é uma mulher de 30 anos, casada, sem filhos, com síndrome de ovário policisto e em crise. À procura de um sentido para vida promete fazer as 524 receitas do livro Mastering the Art of French Cooking, de Julia Child em 1 ano e descrever as experiência no blog The Julie/Julia Project. Nobody here but us servantless American cooks...
Como todos sabem virou best seller internacional e vencedor do primeiro Blooker Prize (que premia livros baseados em blogs).
Particularmente eu achei o livro bem engraçado. Gostoso de ler. Mas no fundo (lá no fundo) achei Julie um pouco mimada e petulante.
Mas é um livro que vale a pena.


Antes dele também li O Dilema do Onívoro, de Michael Pollan.


Foi um livro que como consumidora-engenheira de alimentos-humana preocupada com o mundo me impressionou muito! O começo do livro não me empolgou, uma vez que achei Michael Pollan extremista, dogmático e repetitivo. Mas até a última página do livro, Pollan faz uma lavagem cerebral no leitor. Mas uma lavagem verdadeira, comprovada pelos fatos que ele conta e as perguntas que ele nos emprega inconscientemente. No capítulo I (Industrial: Milho) o livro começa pela descrição da gigantesca monocultura de milho no estado de Iowa e volta até a origem da alta produtividade, com raízes na produção de sementes híbridas na década de 30, permitindo a mecanização da lavoura e dando início a um processo que rapidamente transformará os agricultores em reféns - mais do que em beneficiários - da agro indústria. A utilização do milho como commodity, já que todo aquele milho excedente precisa encontrar mercados e logo começam a ser utilizado na alimentação de animais, mesmo dos ruminantes, cujo sistema digestivo não é adaptado ao consumo de cereais. Cheguei até a xerocar o capítulo II (Pastoral Capim) para algumas amigas estudantes de zootecnia e uns estudantes de agronomia da faculdade, mas não tive retorno. Ressalto aqui que é INTERESSANTÍSSIMO o que Pollan escreve sobre o gado ser alimentado com milho, contrariando sua natureza ruminante e todo o ciclo de uma fazenda auto-sustentável em que ele passa uma temporada. Fica realmente claro qual ciclo funciona melhor. O uso indiscriminado de antibióticos nos animais e a influencia indireta que isso leva à carne, à nós e ao meio ambiente. "Na medida em que se avança na compreensão desse sistema de produção, torna-se inevitável questionar se o que parece racional não é também uma loucura total".
Depois, o autor disseca o processamento dos alimentos consumidos nos EUA. Pode-se dizer que o cereal matinal é o protótipo desse modelo: a indústria transforma 4 centavos de dólar de milho comprado como commodity em 4 dólares de alimentos processados, com novas formas e sabores, vendidos em embalagens que atraem o olhar do consumidor, tudo com o apoio de grandes campanhas publicitárias. Para cada caloria de alimento assim processado são necessárias 10 calorias de combustível fóssil. Tudo fé interligado.
O livro segue por caminhos antes nunca questionados pelos consumidores e sua leitura nos faz perguntar se é isso que queremos, se é que sabemos o que queremos. A afirmação de que não haverá necessidade de desmatamento para a produção e a exportação de imensas quantidades de biodiesel se baseia na avaliação de que grandes áreas de pastagens podem ser convertidas para monoculturas de oleaginosas com um pouco de modernização de nossa agricultura... Isso, apenas para começar uma reflexão mais profunda sobre estilos de vida na era pós-petróleo.


Entre esses dois livros li também Quem quer casar com a poetisa? De Adília Lopes. Que ganhei do de aniversário. Eu até me envergonho um pouco de assumir isso assim publicamente uma vez que não quero me desfazer do presente de maneira nenhuma! Mas eu não sou muito fã de poesia. Salvo algumas exceções, quase nunca elas conseguem prender minha atenção. Lembro até hoje quando Rafael me deu o livro de poesia Flor Bela Espanca, também de aniversário. O término foi uma luta. Mas como eu me obrigo a ler tudo que Rafael me indica, resisti bravamente. Mas Quem quer casar com a poetisa?, é uma antologia poética de Adília Lopes, organizada por Valter Hugo Mãe, escrita em capítulos que procuram traçar um percurso afetivo de Adília. O livro me mostrou que poesia não é, obrigatoriamente, doce e romântica: às vezes é crua e cruel. Cada poema de Adília esconde uma pequena história e também provas de seu grande romantismo particular, a tristeza, o sarcasmo, a leveza do dramático.

"À medida que a paixão
acabava
o cabelo dela ia ficando
por lavar
usou um chapéu
mas a partir de certa altura
meu amor
não foi suficiente um chapéu "


" Estou outra vez a escrever-lhe
para lhe dizer
outra vez
que não lhe escrevo mais
lembra-se dos pesados cortinados
de veludo cor de canela do meu boudoir?
eu também "



Li ainda Ecce Homo, Como Alguém se Torna o que é, de Friedrich Nietzsche.
E já que eu estou assumindo coisas hoje, aqui vai mais uma: eu acho Nietzsche chato! Muito Chato! E quem se sentiu ofendido com essa minha opinião pode buscar conforto no fato de que não sou, nem de longe, a única.



"Julie & Julia - 365 Dias, 524 Receitas e 1 Cozinha Apertada"
Autora: Julie Powell
Editora: Conrad
R$ 46,90
http://juliepowell.blogspot.com/

"O Dilema do Onívoro - Uma História Natural de Quatro Refeições"
Autor: Michael Pollan
Editora: Intrínseca
R$ 49,90

"Quem Quer Casar Com a Poetisa?"
Autora: Adília Lopes
Edições Quasi
192 páginas

"Ecce Homo - Como Alguém Se Torna o que é"
Autor: Friedrich Nietzsche
Editora: Companhia das Letras

Um comentário:

Daninha disse...

Ola Marina. Muiooo Obrigada pelo Dardo! Fico feliz que goste do meu cantinho. Adorei o seu tb. Beijo