segunda-feira, 2 de junho de 2008

Just DO IT

Venho assistindo o país buscar explicações econômicas para a fome nas medidas de produção e disponibilidade de alimentos. Reportagens sobre o aumento do preço dos alimentos estampam revistas e jornais semanalmente.
A Revista VEJA de 23 de Abril trouxe na página 68 a reportagem “O Fantasma de Malthus” sobre o aumento nos preços dos alimentos no país. Ela afirma (em letras grandes) que a alta do preço dos alimentos assusta, mas não condena o mundo à fome...
35 dias depois da publicação, a revista volta a abordar o tema, mas agora o discurso é diferente... VEJA, de 28 de Maio, página também 68: “O preço dos alimentos disparou, e o aumento médio no mundo passa dos 80%. A crise atual, a pior dos últimos trinta anos, é um grito de alerta sobre uma questão que pouca gente ousa discutir: o planeta mal consegue alimentar 6,7 bilhões de bocas hoje. O que ocorrerá em 2050, quando seremos 9,2 bilhões de terráqueos? A comida será cara e rara como nunca”.
É um grito de alerta?
Mês passado ela era sequer “assustadora”...

O “Fantasma de Malthus” se refere à teoria do economista e demógrafo inglês Thomas Malthus (1766-1834) de que antes do século XX o mundo desfaleceria com a falta de comida já que a produção de alimentos crescia em ritmo aritmético (n+1) e a população em ritmo geométrico (2n).
A profecia não se concretizou, pois o homem se beneficiou com os avanços tecnológicos agrícolas como fertilizantes, transgênicos e o interesse do governo em estimular financeiramente a inovação tecnológica.
Mas a população realmente cresceu em ritmo geométrico nesse tempo e o Banco Mundial estima que até 2015 uma população equivalente a mais de meio bilhão de pessoas esteja vivendo no país. País esse que não respeita o meio ambiente em que vive, não protege suas florestas, nem o ar, nem a água. O país que permite que a cada cinco segundos uma criança morra de inanição terá até 2015 quase triplicado sua população, além de jogar aproximadamente 100 milhões de habitantes pobres na miséria absoluta.
Apesar dos avanços tecnológicos impressionarem o mundo hoje, nós ainda temos que lidar com a fúria de uma natureza degradada pelo homem, a variabilidade do clima, colheitas ruins, secas, inundações e outras calamidades... Continuamos vulneráveis à especulação de preços, aumento do preço do petróleo, a explosão dos biocombustíveis.
A situação do Brasil quanto à fome é confortável se comparada com a Somália, onde a polícia tem que dispersar os famintos desesperados com tiros... Ainda não há escassez em nossos supermercados como está havendo na Argentina... E essa situação de falso conforto impede o governo de adotar medidas que evitem a fome antes que ela atinja proporções consideráveis... Não se trata de superar a crise... Trata-se de evitá-la... A fome seria totalmente evitável se o governo fosse incentivado a agir a tempo.
Somos um país democrático, com imprensa relativamente livre, escolhemos nossos dirigentes, nossos representantes, mas nos falta voz ativa... E essa generalização se aplica tanto às classes pobres como as ricas, ao contrário da fome; que raramente atinge os governantes.
Somos influenciados a pensar que países em desenvolvimento não têm condições de enfrentar gastos com a saúde pública e educação antes de ficarem mais ricos e fortalecidos para então poderem lidar com o problema. Até parece que não assistimos ao crescimento de países como Cingapura e Coréia do Sul...
Precisamos parar de querer programas eficazes para combater a desigualdade social e a miséria e começarmos a exigir dados que comprovem que os números de crianças mortas por segundo estão realmente abaixando com as providências tomadas.
Precisamos parar de culpar os biocombustíveis pelo aumento do preço nos alimentos e exigir que os alimentos que nós produzimos sejam mais bem distribuídos para que cheguem à todos.
Exigimos sermos punidos pelo desperdício da comida que nos chega sem dificuldades e que poderia alimentar quase 10 milhões de pessoas por dia!
Adoramos dizer que não estamos (nós brasileiros) comendo mais, e sim melhor. Ou seja, estamos orgulhosamente deixando de aliviar a fome crônica e evitar a fome crítica para comermos mais carne por mês...
Não queremos, EXIGIMOS que não haja estocagem preventiva e acumulação de reservas para fins de especulação. Chega de permitirmos que os nossos produtos sejam colocados ou retidos do mercado de acordo com os incentivos monetários e as expectativas de alterações nos preços!
1...2...3...4...5...
Menos uma criança.
Isso é uma negligência inadmissível...
É uma negligência nossa. Que sorrimos na frente da TV vendo a sonda Phoenix procurar pela vida das milhares de crianças do mundo que diariamente nós mandamos para Marte...

4 comentários:

Anônimo disse...

MARINA, PARABÉNS PELA INICIATIVA. CONTINUE, ESTÁ FANTÁSTICO. BJS TIO AUGUSTO

Carlos Nascimento Jr e Rafaela Gizzi disse...

marinaaaaaa..
voltei a blosgfera!!!
tava com saudades de vc e de seus textos!!!
sobre ele, achei um amnifesto muito legal!!
parabens pela voz!
super beijos

carlos

Anônimo disse...

olha ela!!! garotchenhhaa intelectual!! naaaoo aguueennttooo!! beijos e parabéns

Guilherme Lombardi disse...

Boa crítica, um pouco extremada, eu acho. A crise de alimentos não é tão séria como se está dizendo. A FAU teria dado alarde mais cedo, a pseudo crise hoje se dá mais por especulação relacionada a politica global de biocombustiveis. Metade da solução de uma eventual crise futura já se dá derrubando os subsídios agricolas dos países desenvolvidos. Mas até agora é soh isso mesmo, especulação.

Bjo.